Vou de mototáxi , cê sabe

Ele era um homem lindo, alto e eu na garupa da moto, saia curta levantando com o vento, marilyn monroe da via binário. Calor de mil graus, o herói entre os corredores minúsculos de ônibus e carros engarrafados no sábado de carnaval, velocidade da luz, luke skywalker na estrela da morte, adrenalina, desejo, fantasia, samba, suor e ouriço. E aí um de seus demônios, aquele que mora ali perto do fígado, te manda a letra errada. Nega, essa festa acaba já e é assim: você no chão, escoriações por todo o corpo e ainda tendo que explicar à liga das senhoras católicas o que fazia naquela tarde agarrada no deus negro do mototáxi do Morro do Pinto.

Ah, repressão, sua vadia.