Carta a Plutão

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Já aconteceu com todo mundo e a gente sabe como dói: um dia você é a rainha da cocada preta, o fodão do Bairro Peixoto, o amor da minha vida, a última bolacha no pacote. No outro, simplesmente está fora.  Um dia você é um planeta parte do nosso sistema solar, rodando feliz ao redor do Sol junto com a turma, tendo seu nome sussurrado e decorado por crianças em todos os cantos. No outro, rebaixado a um planeta anão. Fim da festa. Não é fácil.

Mas o mundo dá voltas e você também, Plutão, você dá voltas – mesmo que a sua órbita não seja a mais perfeita de todas.  E aqui estamos: um dia uma  sonda espacial não-tripulada te dá este chega mais e descobre que aí também tem um coração . Pronto: a humanidade inteira volta a lhe adorar. Já aconteceu com a gente.

Querido, eu te digo o seguinte: esses humanos não valem nada. Dizem, inclusive, que quando desaparecerem, a Terra voltará ao seu perfeito equilíbrio e, do jeito que a coisa anda, não demora.  Por isso, não se faça de rogado. Aceite os galanteios e todos estes coraçõezinhos com a mão que este povo faz por aí.  A vingança é um prato que se come frio.  Você é feito de rocha e gelo, meu bem, já deve saber.

* “If all mankind were to disappear, the world would regenerate back to the rich state of equilibrium that existed ten thousand years ago. If insects were to vanish, the environment would collapse into chaos.” E.O. Wilson