A maldição da lingerie só pra ele

lingerieso

Tá tudo gostoso. Tá tudo lindo. Aí você tem uma ideia: vou comprar uma lingerie só pra ele.
Danou-se.

O erro já nasceu daí. Deste pensamento equivocado. Porque lingerie a gente compra pra gente. Que homem, no meio daquele bem-bom, vai parar para observar aquela renda bonita, o acabamento fino e no pé do seu ouvido falar assim, baixinho: “que modelagem boa!” Que homem? E se ele existisse, a gente ia querer? Não, a gente ia considerar um problema gravíssimo. Lingerie é despresente: você compra pensando no rapaz que acha que o bom mesmo é a falta da lingerie. Por isso, ele faz de tudo para se livrar dela em dez segundos. É o que geralmente acontece, a não ser quando você resolve usar uma hot-pant pin-up estilo vintage justa, justíssima, neste caso demora mais um pouco, cerca de uma hora e meia. Ou 45 minutos, caso conte com a ajuda dos bombeiros.

Tá tudo gostoso. Aí você tem uma ideia: vou comprar uma lingerie só pra ele. Já na cabine pensa nas maiores safadezas. Quando a moça do caixa está ali te jogando no cheque especial ou dividindo em parcelas até o fim dos tempos – porque se existe um troço caro, é esse – tá lá você pensando mas maiores safadezas. Quando você caminha pela rua com aquela minúscula sacolinha, tá ali pensando nas maiores safadezas. O sorriso da safadeza é tão indisfarçável e lindo que todos os homens que passam começam a se jogar aos seus pés. E a alegria acaba aí, porque a partir deste momento, você estará sob a maldição da lingerie que você comprou só pra ele. O homem será mandado para uma missão secreta na Conchinchina e pronto. Nada da estreia da lingerie. Fica ela ali na gaveta, triste, novinha, sendo consolada pelas outras. “Fica assim não, nega, sua hora já chega”, dizem as rodadas calcinhas de algodão.

E não é que elas estão certas? Pode não ser hoje, nem amanhã, só para ele ou para um outro qualquer. Essa hora chega. E viva a indústria têxtil do Brasil!