Baiana System e toda menina baiana

baiana2

Estava ali sentada na escada, de bobeira, me chega essa menina baiana querendo ler o meu futuro num jogo de búzios. Tinha 16 anos, rosto lindo, unhas sujas, cabelo curto e um ano de Rio de Janeiro. “Vim escondida dentro de um caminhão de azeite de dendê.” Olha só a história. E eu dando corda, especialidade da casa. “Na cidade para cumprir uma missão dada pelo meu orixá. “Pai nunca teve, a mãe morreu quando ela tinha dez e ficaram só duas tias. Uma em Ilhéus, a outra no Pelourinho. Mas não acha melhor voltar? Fica na rua não, menina baiana. Mas tô no lance da missão, e aí os búzios saltaram, ouvi o que não queria e o que queria, dei a inteira da janta e mais. Dois sorrisos e a conta.

baiana

Isso tudo antes do show do Baiana System – que eu já tinha visto uma vez, mas num teatro pequeno, ficou acanhado. Eu já meio loucona com o lance dos búzios, com a baiana, com meus troços, mas aí começa o som, que pressão é essa, minha gente, que eu tenho 18 anos e tô num show punk, mas parece a primeira vez que eu vi a Nação ou, então, o Planet nos primórdios, mas a flor do desejo e do maracujá, eu também quero beijar, Pepeu lindo, e essas guitarras e esse dub, bota mais grave, mas como é que eu vim parar aqui no gargarejo, talvez eu té desmaie, tô na dúvida, onde eu tô, tem BNegão, talvez eu até morra aqui mesmo, tá bom, mas parece que morro não. Só sei que essa onda vai durar.

Arquivado em:pop