Manoel Cordeiro e sua onda de alegria

No show do Manoel Cordeiro e seu grupo Os Desumanos (Kassin, Stéphane San Juan e Felipe Cordeiro), uma delícia, como é boa essa música, que homem é esse, Manoel, que transforma até um amp fora de ordem em uma certa alegria, mas o que ainda passeia pela minha cabeça é isso aqui.(Dá um play) Me quebrou.

Não estamos nessa para deixar legados, obras, entrarmos para a história e para as enciclopédias, sermos bons naquilo que fazemos. Toda e qualquer criação irá se perder. Escrevo isso lembrando de um texto da Lina Bo Bardi em que dizia que nos escombros de uma guerra, tudo era igualmente escombro. Lembrando de um tweet (bem intencionado e bem equivocado) que circulou: “Steve Jobs foi um menino sírio”. Esse  mundo que coloca a revolução tecnológica acima de “ser menino”.

Toda a criação – arte ou indústria, concreto ou poesia – tudo irá, em algum momento, se perder. Só o que ficará será o nosso rastro de emoção. Porque o Manoel quer mesmo é tocar junto porque deu nele alegria. Não é o que fazemos e sim o que sentimos. Aí, e só aí, está o valor. Esse bando de coisa passando pela cabeça, porque depois do show eu ainda subi para Santa Teresa, e uma noite em Santa deixa qualquer pessoa meio hippie. Ou então porque abaixamos o vidro do carro para rir junto com uns adolescentes que se divertiam sentados em um meio fio da Lapa e foi um grande momento. Porque na mesma noite eu ainda ouvi um disco novo lindão. Ou porque, descendo já de volta, tinha um muro pichado (hippiemente) assim: “transborde amor”.

Tô piegas, saquei, acontece, me perdoe. Acabei esta sexta em lágrimas, depois de uma tarde boa. Mas embora o medo seja justamente esse, eu só quero transbordar. Nem que não sobre nada de mim.  Afinal, nem de outro jeito sobraria.

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