A mulher mal-amada

Existem mulheres mal-amadas. Homens não. Ninguém anda por aí a comentar, “olha ali o Alcides, aquele pobre de um mal-amado”. Já nós, mulheres, temos que viver tomando o maior cuidado com o que dizemos. Senão, nos acudam, podemos ficar com a pior das das famas. A de “mulher mal-amada”. Esse é um adjetivo e substantivo masculino – está no Houaiss – “que ou aquele que é frustrado, não correspondido no seu amor”. Homens, mulheres, cachorros sofrem muito disso aí também. Mas – por que será? – aprendemos a usá-lo apenas no feminino.

Este hífen que me perdoe, mas se alguém foi mal amada, pior para quem mal amou. Eu, que já fui mal amada e bem amada também, continuo achando que amar muito é só o melhor (e mais sangrento) dos mundos. Frustrações? Só tem quem deseja e só quem deseja vive.

Por isso, bonitinhos, ao discordarem de posicionamentos de mulheres em relação às questões feministas, discordem. Bora sentar e conversar, depois beijar na boca e foder de montão. Mas jamais, jamais, jamais peçam pra que a gente tome cuidado “senão vamos ficar parecendo um bando de mal-amadas”. Simplesmente, não estamos nem aí pra isso.

Aprendam, apenas, a nos amar bem melhor.