Coleção de medos ridículos

santinhos
Tenho medo de jogar fora os pequenos santinhos. Não que eles sempre me ajudem, mas tenho medo que entristeçam, rasgados no lixo, e me compliquem a vida. Pela casa, acumulo santinhos de todos os tipos, os que auxiliam nas doenças e os que desatam os nós, os das dificuldades abstratas e os de proteção genérica, entre páginas de livros, escondidos aos montes em caixas. (De alguns, confesso, conto até mais de uma dúzia.)

Já tive medo de cachorro, não mais, só quando os dentes afiados roçam a  pele, tenho medo da aula de ginástica e de nunca mais te ter, de pé direito alto e, um pouco, de elevadores e do metrô.

Tenho medo de jogar fora os pequenos santinhos e, por isso, os coleciono, junto com a minha coleção de medos ridículos. Tem dias que tomo coragem e jogo fora.  Mas sempre peço desculpas e que eles me perdoem. Amém.