Olá, senhora

Sujeito, nas últimas, vê entrar uma mulher no quarto do hospital.
– Você vem sempre por aqui? – pergunta, sem perder tempo.
– Sempre. Quase toda semana.
Diz isso e sorri, tímida. Ela se senta na beira da cama e abre a bolsa. Tira um maço de cigarros , acende um.
– Aceita?
Ele se surpreende. Olha para a porta e, só depois, aceita.
– Achei que isso não era permitido por aqui… Mas um cigarro só, mal não faz.
– Para mim eles fazem algumas exceções…
– Ah fazem? Você trabalha com que, afinal?
– Difícil explicar.

Ela diz isso e solta círculo de fumaça pela boca
– Tipo no RH, sabe…
– Sei..

Os dois se olham. E depois, por um segundo, ele desvia o olhar para aqueles botões da sua blusa. Está apertada.
Fumam em silêncio. Ela se levanta e olha para o relógio
– Nossa, agora eu tenho que ir..
– Mas já?
– Tá na minha hora. Vem comigo?

Horário do óbito: 21h34m


Publicado no 02 Neurônio, 2011