Coentro é amor

coentroTem coisa que é unanimidade. Manjericão. Já escutou alguém reclamar de um manjericão? Nunca. Nunquinha! Tem coisa que veio ao mundo para dar problema. Coentro. O coentro é amor ou ódio. Se elogiam uma comida e você diz que vai provar, há sempre alguém que alerta, como se estivesse te salvando de um perigo mortal. “Cuidado! Você gosta de coentro?” Tanta rejeição fez até com que ele – ao longo da evolução- ficasse parecido com a salsinha. Só pra ver se conseguia ser levado pra casa pelos desavisados.

Um dia veio um namorado e o homem odiava coentro. Mais que odiava, ele amava odiar e gabava-se de odiar. E eu, fiz o que? Comecei a odiar o coentro junto. Ah, o mimetismo patético do amor! “Nós dois não gostamos de coentro, olha só, que lindo.” Quem nunca caiu nessa, trocou de amigos, virou a casaca, mudou de partido, quem nunca, quem nunca. Tudo para justificar o que – se for de verdade, verdade mesmo, coração selvagem – não precisa de justificativa alguma. É tu porque sim, ponto. Anos destemperados, acreditando na minha própria mentira diante do amor mequetrefe. Duro foi descobrir, tempos depois, comendo uma açorda à alentejana em êxtase, que coentro é maravilha pura. E os anos e anos privados deste prazer? Não voltam jamais.

“Somos tão parecidos, nascemos um para o outro”, diz o clichêzinho que de vez em quando vem nos visitar. O caralho. Nascemos só para o mundo e, mesmo assim, até que o mundo se encha da gente e nos despache de vez. Mas até lá, vamos exagerar neste coentro!