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Ficou decidido assim

Ficou combinado assim.
Na impossibilidade de chegar a um acordo – aparentemente, o resultado da eleição não estava valendo! – todo o futuro da nação seria decidido em uma partida de queimada. Uma única partida, disputada por dois times, dois times de uma mesma família brasileira desta assim que nem a de todo mundo, um primo petralha, uma prima coxinha, um tio deixa-isso, enfim. Vocês sabem. A escolha foi feita através de um algoritmo que detectou o grupo de whatsapp com mais barracos em território brasileiro.  E  família escolhida ganhou um ano de compras de supermercado!

Eis que chega o domingo, o grande dia. O jogo será transmitido em rede nacional diretamente do quintal. Cabe à avó matriarca, já na cadeira de rodas e de camisolão, o apito. Todos os parentes reunidos, começa divisão de times. “Sou contra este Fla-Flu”, diz uma fulana, no que é seguida por vários isentões que também só querem ficar de fora, só olhando. “Tudo bem, mas mesmo assim tem que escolher um time pra ficar na reserva. Não tem jeito. É o futuro da pátria verde-amarela”, fala um tio mais velho, eleitor do Bolsonaro. Tensão. A matriarca finge que não é com ela e desliga o aparelho de surdez. Para surpresa de todos , o Tiozão é apoiado por Lula, seu sobrinho que, na verdade, na verdade, se chama Reginaldo “mas a partir de hoje só atendo por Lula”. “No muro não vai dar”, diz o sobrinho.  Finalmente eles concordaram em alguma coisa! Esperança!

Mas, então, acontece o inesperado. Os isentões surtam e partem pra cima de todo mundo, distribuindo sopapos.
Aí não tem mais jeito.
Fim.