E eu te conheço?

“Dormiu comigo?”, ele perguntou.
Acho que não.
“E não deu bom dia por que?”, continuou, ofendido.

Porque não. E me deixa. Vai ver seu tô lá na esquina. Um beijo e não me liga.
Quem disse que ele sossegou?  O fulano veio atrás, só dando ideia errada, que eu tinha que isso, e aquilo e sei lá mais o que.  Falou um monte.   E eu? Fazendo a sonsa.  Por acaso eu te dei essa intimidade, criatura? Nem te conheço.  Eita, aí o caboclo virou bicho. Falou tudo da minha vida,  que eu era louca por ele, só pensava nele e nele e nele. Depois partiu para a sessão de fracassos. Aos berros,  para quem passasse por ali, gritou todos os meus defeitos, disse que eu tinha boleto em aberto e tudo mais.  Eu?  Fazendo a egípcia.  Linda, maravilhosa, aquele ventilador de diva imaginário. Comigo não, violão.
Respirei fundo e com um cínico e delicado sorriso, mandei um..

Certamente o senhor está me confundido com outra pessoa. Passar bem e bom ano.

Tomei meu rumo. E ele? Ficou pela rua, desnorteado. Perplexo.
Avimaria, como eu amo enganar um Problema!