Por jô hallack

caótica, escritora, jornalista, roteirista, o outro blog é o defeito.com, rio de janeiro.

Europa

Na lua o maior dos oceanos Pra fazer deus rir: planos O mundo salgado debaixo do gelo eu me perdi num cacho do seu cabelo Um labirinto Um caracol Eu sou liberdade Você meu anzol E rabisco com letras tortas Esse universo que inventei Cheio de estrelas mortas

os amores que aqui não estão

Para onde vão os amores que não mais estão? Se escondem pela casa,  metidos em frestas, junto com as traças, se alimentado dos meus próprios restos. Enquanto em durmo, eles se deitam ao meu lado e sussurram. Lembra como foi bom? Lembra com foi ruim? Chamei a dedetização.

diário monstros número 46292

os monstros me chamaram pra fazer um piquenique. tinha bolo meio de festa eu perguntei o porquê. eles disseram que estavam comemorando a minha vida estar pior do que a sua. nadamos na represa. bife a milanesa frio no pão francês. quando  foram no pedalinho, eu fugi. abri a porta de casa, eles já estavam lá. são os túneis. que eles cavam. fizemos pipoca, uma zebra fugindo do leão na tevê, eles perguntaram se eu ainda pensava em você. e eu respondi: coitada da zebra.

Amanhã é um dia triste

“No final tudo dá certo.” Sempre detestei este tipo de consolo. A começar pelo óbvio: no final, morremos. Eu sei que isso é spoiler, um detalhe incômodo, mas é assim que é . No final, morremos. Depois?  Talvez poeira cósmica. Andar pelas nuvens de camisolão . Voltar como bebê e recomeçar do zero.  Aí, amigos,…

Antitutorial da vida

Não sei. Marcenaria, tricô, quais são todos os países da Europa, japonês. Minecraft, tocar violão, costurar um capuz de unicórnio ou panda. Técnica contra assalto de um roubo de bolsa. Em dois golpes. Olho gatinha com delineador. Falar “Rihanna” direito. Me atrapalho. Também. Na diferença de quati para guaxinim. Sei. Receita de tiramisú. Contar abismos.…

A mulher impossível

Em outras rodas, e pelas ruas, e pelas bocas, em velhas juras. Em novas dores, com outros homens, em todas camas, e desamores. Nos mesmos erros, antigos trastes, em todas brasas, no carnaval. Sempre nos bêbados, nos seus rascunhos, nos infelizes,  na solidão. A mulher impossível está do outro lado da porta. Esperando que você…

As queridas ficam

Que tem machismo, a gente já sabia. E que a misoginia anda por aí de boas, pois é. É tão escancarado, que um homem que bate em mulher vai se candidatar a prefeito e é isso. Ontem foi um circo dos horrores, tá claro. Teve gente dedicando voto a torturador. E tudo. Conforme a votação…

Fica, Carnaval

Fica, Carnaval, que vai ter bolo. Fica. Faço tudo que você quiser, te juro. Te dou comida, roupa lavada e o que mais você pedir. Passo café que é uma beleza. Te prometo os maiores dengos e e as mais novas obscenidades. Te dou a senha do wifi. O meu amor descabido. Fica que vai…

I-Ching

“Se eu te perdi não vou voltar pra buscar.” Uma velha conversando com as próprias sacolas subindo a Santo Amaro. Pensei que era I-Ching.

É linda quando se diverte

Lamber suas botas. Cair aos seus pés. Mas cada passo que eu dou. É um passo dado. E é linda quando dança É linda quando se diverte Es linda cuando se divierte. Es linda cuando baila. * “Es linda cuando se divierte” , a última frase que eu ouvi em Montevideo. Um novo mantra, um…

Mea Culpa do Macho #AgoraÉQueSãoElas

Ocupando a coluna do Xico Sá no El Pais. Ali no começo dos anos 1990, o fanzine 02 Neurônio, de acento punk-rock-feminista, já empoderava o movimento e organizava o carnaval, com muito David Bowie, na Torre do Doutor Zero, bar dançante e moderno de SP. No comando da publicação, o power trio composto por Nina Lemos, Raq Affonso e Jô Hallack. Cada uma ao seu estilo, as meninas seguiram com Bowie & Beauvoir e muita sátira de costumes. Como veremos agora na crônica de Jô, que ocupa, sem favor algum, esta coluna no embalo do #AgoraÉQueSãoElas: Mea-culpa do macho Por…

Da sua mentira, cai

Quando era asa nadei Na correnteza do vento No chão, rainha é a areia E os grãos que tudo devoram Quando era asa voei Da sua mentira, cai ‪#‎cabopolonionovembro2015‬

no fundo

Não dá pé mas flutua Não dá pé mas flutua No fundo não dá pé Mas flutua  

O que sempre

Mas o que sempre nos pediram? Que até quando fôssemos para o inferno, fôssemos belas. Que usássemos os talheres apropriadamente. Que mantivéssemos o tom sereno nos dias perversos. Baby, baby, é que eu não vou mais pentear o cabelo. A civilização acaba quando começa o amor.

Morrer pela manhã

Cabelos em nós e, da beira da cama, eu salto. Queda livre. E morro. De pijama. E salto. E morro. E salto. E morro. E salto. E morro. E salto. E morro. Flutuo e despenco. Que eu quebre todos meus ossos em um abraço. Que eu morra mais uma vez neste abismo (que, só hoje,…