Europa

Na lua o maior dos oceanos Pra fazer deus rir: planos O mundo salgado debaixo do gelo eu me perdi num cacho do seu cabelo Um labirinto Um caracol Eu sou liberdade Você meu anzol E rabisco com letras tortas Esse universo que inventei Cheio de estrelas mortas

os amores que aqui não estão

Para onde vão os amores que não mais estão? Se escondem pela casa,  metidos em frestas, junto com as traças, se alimentado dos meus próprios restos. Enquanto em durmo, eles se deitam ao meu lado e sussurram. Lembra como foi bom? Lembra com foi ruim? Chamei a dedetização.

diário monstros número 46292

os monstros me chamaram pra fazer um piquenique. tinha bolo meio de festa eu perguntei o porquê. eles disseram que estavam comemorando a minha vida estar pior do que a sua. nadamos na represa. bife a milanesa frio no pão francês. quando  foram no pedalinho, eu fugi. abri a porta de casa, eles já estavam lá. são os túneis. que eles cavam. fizemos pipoca, uma zebra fugindo do leão na tevê, eles perguntaram se eu ainda pensava em você. e eu respondi: coitada da zebra.

Amanhã é um dia triste

“No final tudo dá certo.” Sempre detestei este tipo de consolo. A começar pelo óbvio: no final, morremos. Eu sei que isso é spoiler, um detalhe incômodo, mas é assim que é . No final, morremos. Depois?  Talvez poeira cósmica. Andar pelas nuvens de camisolão . Voltar como bebê e recomeçar do zero.  Aí, amigos,…

Antitutorial da vida

Não sei. Marcenaria, tricô, quais são todos os países da Europa, japonês. Minecraft, tocar violão, costurar um capuz de unicórnio ou panda. Técnica contra assalto de um roubo de bolsa. Em dois golpes. Olho gatinha com delineador. Falar “Rihanna” direito. Me atrapalho. Também. Na diferença de quati para guaxinim. Sei. Receita de tiramisú. Contar abismos.…

A mulher impossível

Em outras rodas, e pelas ruas, e pelas bocas, em velhas juras. Em novas dores, com outros homens, em todas camas, e desamores. Nos mesmos erros, antigos trastes, em todas brasas, no carnaval. Sempre nos bêbados, nos seus rascunhos, nos infelizes,  na solidão. A mulher impossível está do outro lado da porta. Esperando que você…

As queridas ficam

Que tem machismo, a gente já sabia. E que a misoginia anda por aí de boas, pois é. É tão escancarado, que um homem que bate em mulher vai se candidatar a prefeito e é isso. Ontem foi um circo dos horrores, tá claro. Teve gente dedicando voto a torturador. E tudo. Conforme a votação…

Fica, Carnaval

Fica, Carnaval, que vai ter bolo. Fica. Faço tudo que você quiser, te juro. Te dou comida, roupa lavada e o que mais você pedir. Passo café que é uma beleza. Te prometo os maiores dengos e e as mais novas obscenidades. Te dou a senha do wifi. O meu amor descabido. Fica que vai…

I-Ching

“Se eu te perdi não vou voltar pra buscar.” Uma velha conversando com as próprias sacolas subindo a Santo Amaro. Pensei que era I-Ching.

Mea Culpa do Macho #AgoraÉQueSãoElas

Ocupando a coluna do Xico Sá no El Pais. Ali no começo dos anos 1990, o fanzine 02 Neurônio, de acento punk-rock-feminista, já empoderava o movimento e organizava o carnaval, com muito David Bowie, na Torre do Doutor Zero, bar dançante e moderno de SP. No comando da publicação, o power trio composto por Nina Lemos, Raq Affonso e Jô Hallack. Cada uma ao seu estilo, as meninas seguiram com Bowie & Beauvoir e muita sátira de costumes. Como veremos agora na crônica de Jô, que ocupa, sem favor algum, esta coluna no embalo do #AgoraÉQueSãoElas: Mea-culpa do macho Por…

Da sua mentira, cai

Quando era asa nadei Na correnteza do vento No chão, rainha é a areia E os grãos que tudo devoram Quando era asa voei Da sua mentira, cai ‪#‎cabopolonionovembro2015‬

no fundo

Não dá pé mas flutua Não dá pé mas flutua No fundo não dá pé Mas flutua  

Morrer pela manhã

Cabelos em nós e, da beira da cama, eu salto. Queda livre. E morro. De pijama. E salto. E morro. E salto. E morro. E salto. E morro. E salto. E morro. Flutuo e despenco. Que eu quebre todos meus ossos em um abraço. Que eu morra mais uma vez neste abismo (que, só hoje,…

Água tônica *

– Nunca me senti tão leve. – É? – Não me sentia assim desde que descobri minha cor favorita. – Qual é? – Verde. – E agora? – Descobri que o que eu gosto mesmo é de água tônica. Nunca mais vou me sentar num restaurante e ficar pensando no que pedir. Eu sou uma pessoa água tônica. – Não gosto de água tônica. Não gosto nada que misture amargo com doce. – Então você não gosta de seres humanos. Só de pandas e cães labradores. * da série “diálogos reais de amigos estranhos”

Carta para um amor platônico

Você me pegou pela mão. E me levou, sim foi você que me levou, para os lugares mais lindos que dá pra imaginar. A gente dançou umas músicas ótimas, assim, no meio da sala, coisa de casal. Fez promessa e tudo, pacto de sangue, coração selvagem. Mas aí você foi lá e descobriu. Sim, que…