De Os monstros

nossas paranóias

que barulho é esse? são as nossas paranoias que acordaram com fome e estão devorando tudo da geladeira morderam até um pedaço do sofá e ainda por cima botaram a culpa no gato  

Destacado

Os monstros vieram se queixar

Os monstros vieram se queixar. Muito tempo sem sair de casa Até as traças estão numa boa,  gritaram. E comeram toda a biblioteca. Prometi, então, uma noite daquelas. Uma insônia daquelas. Uma nóia daquelas. Quem sabe assim eles ficam quietos. Quem sabe assim eles me esquecem.

os amores que aqui não estão

Para onde vão os amores que não mais estão? Se escondem pela casa,  metidos em frestas, junto com as traças, se alimentado dos meus próprios restos. Enquanto em durmo, eles se deitam ao meu lado e sussurram. Lembra como foi bom? Lembra com foi ruim? Chamei a dedetização.

diário monstros número 46292

os monstros me chamaram pra fazer um piquenique. tinha bolo meio de festa eu perguntei o porquê. eles disseram que estavam comemorando a minha vida estar pior do que a sua. nadamos na represa. bife a milanesa frio no pão francês. quando  foram no pedalinho, eu fugi. abri a porta de casa, eles já estavam lá. são os túneis. que eles cavam. fizemos pipoca, uma zebra fugindo do leão na tevê, eles perguntaram se eu ainda pensava em você. e eu respondi: coitada da zebra.

Sorveteria

Eu levei os meus monstros para passear Fomos tomar sorvete Provamos todos os sabores e ainda repetimos Sentamos no banco da praça Nos divertimos vendo as crianças, os velhos e os namorados Foi uma tarde boa E de noite eles: BÚ!

As minhas dores

Quando cheguei, ali estavam. Vivas. Ainda sangravam mas me receberam com o mais doce dos abraços. E em troca do meu carinho, me deram todas as maravilhas. Tudo brilhava, tudo era amuleto. Aos sussurros, disseram que eu precisava ir, sem medo. Foi um único salto. Impreciso e trêmulo. O que veio depois eu chamei de…

A criatura

Era um monstro de graxa preta e voava entre os edifícios. Delicado. Misterioso. Planando, grudou em uma antena parabólica e danificou sua estrutura para sempre, mas isso só iriam descobrir no dia seguinte. O céu estava cheio de estrelas e eles ficaram na janela mais um pouco, em silêncio, encantados. Que linda aquela criatura japonesa que chegou ao Leblon.

Os demônios da pequena

Meus pequenos demônios moram debaixo da cama Moram na terceira gaveta do armário Moram na sola do meu sapato Meus pequenos demônios moram dentro de uma cárie No fundo do meu umbigo Debaixo do meu cobertor De vez em quando viajam Mas sempre voltam Dizem que é só por causa do meu café. Entrem, pestes, que a casa é sempre sua! Setembro, 2009

A arte inútil de espantar fantasmas

Fantasmas são assim: chegam sempre sem avisar. Jamais tocam a campainha – simplesmente porque nunca devolveram as chaves. (E você pediu?) Tem em comum a irritante falta de cerimônia: botam o pé no sofá até mesmo de sapatos. Sempre vem cheios de saudades. Perguntam pela cerveja gelada e pedem para ver aquela velha caixa de…